Artigo - A INFLUÊNCIA DOS PAIS NA SOCIALIZAÇÃO DOS FILHOS
Entre os diversos papéis que assumimos, nos colocamos diante da difícil missão de educar nossos filhos.

A educação é importante para se fazer uma análise do contexto familiar, voltando-se para o que pensam os pais sobre seu papel no processo de escolarização dos seus filhos, pois não há como articular família-escola sem entender o que eles pensam e sem tentar sensibilizá-los da sua importância no aprendizado dos seus filhos.

A relação entre o contexto escolar e o contexto familiar é fundamental para o processo de aprendizagem.
É nos dois contextos que a família, juntamente com a escola, tem o papel de desenvolver a sociabilidade, a afetividade e o bem estar físico dos indivíduos.

O modo como tratamos nossos filhos, o tom emocional de voz, a linguagem corporal, a atenção e as práticas parentais, tais como elogios e punições, são frutos daquilo que os estudiosos chamam de estilo parental. Em síntese, estilo parental é a forma como os pais se relacionam com os filhos, com o objetivo de educá-los. A educação recebida em casa é fator importante no desenvolvimento social e afetivo de crianças e jovens, mas existem outras variáveis que também influenciam, como a escola, os grupos de amigos, e outros ambientes de convivência. Nem sempre o estilo parental dos pais, ou de um deles, determina os aspectos de proteção tão necessários a um crescimento saudável. Muitos pais seguem com práticas educativas poucas assertivas e, portanto, ineficazes.

Conhecer sobre os estilos parentais e estratégias educativas adotadas, permite identificar qual é o seu próprio estilo e a partir daí poder observar suas atitudes e promover mudanças.

Baumrind (1971; cit. Por Weber 2004), descreve os estilos parentais como Autoritário, Permissivo e Autoritativo ou Participativo, mostrando as diferenças acentuadas na relação pais e filhos e as consequências para a formação social, afetiva e cognitiva da criança.

1 Estilo Autoritário:
Há tentativa de controlar e modelar de forma rígida as atitudes das crianças.
São pais muito exigentes, pouco tolerantes ou compreensivos, que impõem a obediência e o respeito pela autoridade, sem dar espaço para o diálogo e o afeto. São práticas educativas negativas, tal como o abuso físico e psicológico, e a monitoria negativa, marcadas por fiscalizações severas, ordens excessivas, gerando estresse, hostilidade e insegurança nos filhos.

Consequências: os filhos tendem a tornarem-se mais submissos e dependentes, com pouca autonomia. Podem exibir comportamentos agressivos contra figuras de autoridade. Podem demonstrar desempenho precário nas habilidades sociais, humor instável, são pouco amigáveis, tem baixa autoestima e altos níveis de depressão.

2 Estilo Permissivo:
Os pais funcionam como recursos para os desejos das crianças, e não como modelos.
Estes pais são nada exigentes, colocam pouco ou nenhum limite aos filhos, são muito compreensivos, tolerantes e afetuosos. Podem ser indulgentes, quando respondem aos pedidos das crianças e são carinhosos, não são exigentes quanto às normas ou deveres. Ou podem ser negligentes, quando não são responsivos e nem afetuosos, com baixos níveis de controle e responsabilidade.
Em geral, gera práticas parentais como a negligência: a falta de atenção e afeto nas relações, disciplina relaxada em que as regras estabelecidas carecem de cumprimento e punição. Esta pratica costuma ser permeada por instruções e regras inconstantes, sem observação do seu cumprimento, gerando um ambiente hostil.

Consequências: as crianças costumam ser mimadas, sem limites e egoístas. Podem apresentar baixo rendimento escolar e ter problemas de comportamento. Embora tenham melhor autoestima, boas habilidades sociais e baixos níveis de depressão, tendem a um alto risco de envolvimento com drogas, por acharem que podem tudo, pois não tem regras e nem limites.

3 Estilo Autoritativo ou Participativo:
Há estabelecimento de normas e limites e equilíbrio entre os níveis de exigência e de responsabilidade. São pais que se destacam por impor disciplina, dão muito afeto e se envolvem de fato com os filhos, dando estrutura positiva e propiciando um ambiente de diálogo.
Este estilo gera práticas e estratégias parentais positivas, como a monitoria positiva e o comportamento moral, que promovem a autonomia psicológica e comportamentos sociais mais adequados.

Consequências: tendem a crescer com boa dose de autoestima, competências desenvolvidas em habilidades sociais, bom desempenho escolar, maturidade emocional e capacidade de resistir às frustrações inerentes ao processo de viver.
Outros fatores, inclusive as características herdadas em relação às adquiridas pela educação, podem interferir no desenvolvimento das competências sociais, emocionais e cognitivas das crianças. O mais importante é que Educar é também uma competência que pode ser adquirida e desenvolvida.

É fundamental que os pais tenham uma atitude de aprendizado para que possam evoluir em suas estratégias educativas e de respeito pela individualidade da criança.

Além disso, é importante adotar práticas educativas mais assertivas para que seu filho possa desenvolver competências psicossociais e emocionais mais saudáveis e equilibradas. .

Clarice Ribeiro Climaco
Psicóloga
Acompanhar Jaraguá

Referências:
- www.catarinarivero.com- Lisboa 2006
Texto: Estilos e práticas parentais e determinantes para o desenvolvimento e socialização de crianças e adolescentes- Weber, Lídia e colaboradores Universidade Federal do Paraná
- Inventário de Estilos Parentais- IEP: Modelo teórico- Manual de aplicação, apuração e interpretação- Gomide, Paula Inêz Cunha Editora Vozes- 2ª edição